Animação do Inanimado – O início_parte 2

8 abr

zombies

Seguimos o doido pelo corredor em que estavamos e descobrimos que o que era ruim podia ficar pior. Essa outra parte do corredor era bem mais macabra que a outra parte, nenhuma das luzes funcionava.

            – Vamos, por aqui. Tem uma sala de controle ali na frente mas eu não consigo abrir a porta.

            – Como você sabe dessas coisas?

E ele continuou a andar e sumiu na escuridão.

            – Esse cara já ta me dando nos nervos, se for alguma merda que ele tá aprontando vou ficar muito feliz em encher a fuça dele de porrada.

            – Fica na tua, Grandão, o cara deve ter ficado maluco. – olhei em volta – Não é pra menos, olha que bosta é esse lugar!

Poucos metros a frente o maluco estava parado na frente de uma porta.

            – Você é forte, abre esta porta! Aí dentro tá o caminho pra sairmos daqui.

Sem esforço o Grandão abriu a  porta, era bem menos do que eu esperava que fosse ser. Era uma salinha com dois computadores não muito antigos em duas mesinhas, uma de frente pra outra. O doido se adiantou e ligou um dos computadores, digitou uns códigos e nada aconteceu.

            – Merda, minha senha não funciona mais!

Fui para trás do cara e me desesperei. Olhei para o tela e não podia fazer nada, quando de repente era como se não fosse mais eu. Empurrei o cara da cadeira e começei a digitar uma porção de coisas que eu não tinha a mínima idéia do que eram mas sabia que iriam funcionar.

            – Entrei no sistema!

Os dois homens olharam para mim com um espanto que chegava a ser ofensivo.

            – O que foi?

            – Como você fez isso?

            – Não sei, meus dedos tiveram vida própria agora. Eu só sabia que se fizesse isso iria dar certo.

            – Depois vocês podem conversar, procura sobre os protocolos de emergência, precisamos dar um fim nessa unidade para que a infecção não se espalhe.

Olhando o conteúdo daquele computador descobri uma pasta entitulada SUJEITOS. Imediatamente cliquei na pasta, todos estavam identificados com números. Nem uma pista sobre nossos nomes.

Enquanto eu fuçava o computador, Grandão fazia suas próprias descobertas.

            – Você ainda não nos respondeu como você sabe dessas coisas. É bom começar a falar.

            – Eu trabalhava aqui. – no mesmo instante o Grandão se adiantou e segurou o maluco pela gola da blusa – Calma, calma! Eu não era responsável pelo que faziam com vocês, eu trabalhava em outra linha de pesquisa.

            – O que eles faziam conosco? O que é essa porra toda?

            – Só sei que estavam recrutando pessoas para serem cobaias de um teste. Se vocês estão aqui foi porque quiseram estar! – Atordoado o Grandão largou o doido/cientista.

            – Gente, encontrei o mapa dessa unidade! Tem uma sala de armamentos pesados no último andar, bem próximo de uma saída pelo telhado. Temos que ir para lá!

 

Num silêncio sepulcral seguimos em direção a escada.  Por volta do terceiro lance de escadas um barulho esquisito ecoou, senti um frio na espinha.

            – É ele! Temos que nos apressar, ele vai matar a todos nós! Ele vai nos achar. – gritou o doido.

Puta merda, se esse cara não se acalmar vamos acabar nos enfiando em merda.

            – Para de gritar, como você quer se esconder assim? Quer tirar 1 em stealth? – dei um empurrão nele pra ver se ele se tocava.

Só pra não brincar com o azar subimos a escada correndo pra chegar logo na sala de armas. Não sei eles mas eu me sentiria muito menos ameaçada se eu tivesse uma arma comigo. O que vou fazer com esse bisturi ridículo? Cortar uma manteiga pra ameaça?

 

A situação dos andares superiores estava bem pior que no térreo. Grunhidos surgiam e sumiam e não dava para identificar a origem deles. Meu coração não aguentava mais, eu estava com vontade de correr, gritar, chorar e desistir, tudo ao mesmo tempo. Andamos pela escuridão quando senti uma coisa gosmenta encostando no meu braço. Me virei rápido para ver o que era, e sinceramente era melhor não ter visto.

Um rosto desfigurado estava me olhando, avançando na minha direção. O rosto parecia estar derretendo, algumas partes da pele tinham sumido. Empurrei e dei um pequeno grito. Procurei meu bisturi e a única coisa que consegui fazer foi derrubar no chão. Por sorte quando o monstro chegou em mim o Grandão já tinha percebido a situação e usou seu cano como um taco de beisebol e isolou a cabeça dele.

Lágrimas escorreram dos meus olhos e meu peito parecia que iria explodir.

            – Fica esperta garota! Não serei seu heroi para sempre. – brincou o Grandão.

Seguimos em frente e chegamos enfim na sala de armamento. Era a felicidade, tinha de tudo ali dentro, coletes, botas, armas, munição e até bolsas para carregar tudo. Fizemos a limpa na sala. Claro!

Para não ter outro incidente, vestimos os coletes e as botas ali dentro da sala mesmo. Carregamos algumas armas e nos preparavamos para sair quando batidas fortes começaram na porta.

            – São outros deles. Tá preparada dessa vez?

            – Preparada? Claro, só que não!!

            – Vou ficar com o cano mesmo, temos que economizar munição. Vê se não disperdiça. Sabe usar uma arma?

            – Não sei se eu sei.

            – Vamos descobrir.

            – E eu? – Já tinha me esquecido desse maluco.

            – Você fica aí mesmo ou cai na mão com eles. Eu não confio em você para te dar uma arma.

 

Abri a porta.

 

Dois monstros entraram cambaleando pela porta, Grandão esmagou a cabeça de um deles com seu cano, o outro avançou para perto dele. Aproveitei meu esconderijo e atirei na cabeça do outro. Menos dois! Grandão, como um tanque de guerra, saiu pela porta. Fui atrás usando ele como escudo. Como estava com a pistola eu acertava os que estavam mais longe e os mais próximos encaravam o cano da morte. Eram muitos e parecia que todos os golpes que não era na cabeça não funcionavam. Braços caiam das pancadas que Grandão desferia e eles não paravam.

            – Brisa, atira nisso que vou jogar e prepara para correr de volta para a sala.

Acenei concordando e o vi atirar uma espécie de bujão de gás para o meio da horda, atirei e boom, tudo pelos ares. Corremos para a sala e fechamos a porta bem em tempo de conter o fogo.

            – Onde raios você achou aquilo?

            – Dei um bico naquilo lá no fundo do corredor e trouxe até aqui, pensei que poderia ser útil.

            – Vocês fizeram muito barulho, ele com certeza sabe onde estamos. – falou nervoso o doido.

            – Cara, você não faz sentido nenhum, sempre fala dessa porra desse cara e não nos explica quem é! – comecei a ficar realmente irritada com ele.

            – Deixa esse cara ai, ele é chato pra caralho! – disse o Grandão da porta me chamando para sairmos dali.

Fora da sala era uma cena medonha, corpos se mexiam em meio das chamas fazendo barulhos não humanos. Eles já deveriam ter morrido!

            – Vem, dá pra passar. Os que pegarem teu pé você pisa na cabeça.

Em disparada passou o doido pela nossa frente correndo em direção ao escuro.

            – Onde você tá indo? A escada é para o outro lado!

Um grito amedrontador e um baque. Fomos na direção do barulho. Porque caralhos fomos em direção ao perigo eu não sei. Vimos o nosso cientista caido no chão, gritando, com as pernas enroladas em alguma coisa que parecia um tentáculo.

            – Corram!!!

Sem pestanejar me virei para o lado oposto e corri. Tudo o que pude ver foi o cientista ser arrastado para a escuridão.

Corremos para a escada e subimos até o terraço, abrimos a porta e fomos cegados pela claridade do sol. Quando recuperamos a visão tudo o que víamos era uma grande merda. O terraço estava cheio de monstros. Fudeu.

            – Vou na frente, abro caminho e você atira nos que estiverem vindo atrás de nós. – E correu.

Não sei o que eu fazia da vida antes disso tudo mas seja o que for eu era rápida, consegui me esquivar de todos os monstros que tentavam me agarrar pelos braços. Atirei em alguns que escapavam do cano. Parecia não ter fim, quanto mais derrubávamos mais apareciam.

Chegamos ao parapeito do terraço.

            – E agora?

            – Pulamos.

Puta merda! Era muito alto!

            – Ok, ótimas opções, morremos tentando ou morremos nos acovardando.

Senti um puxão no braço e estavamos voando.  

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