Animação do Inanimado – O Início

27 mar

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Conto baseado em fatos rpgísticos.

Se você está ouvindo e principalmente, entendendo o que digo, você é um de nós. Somos a resistência. Caso queira juntar-se a nós, estaremos até segunda ordem no centro de recrutamento da marinha. Todos serão aceitos, principalmente aqueles que querem lutar contra essas criaturas malditas. Vândalos serão tratados pior que as criaturas, portanto nem pense em nos saquear, pois todos serão mortos. Boa sorte a todos nós. Câmbio e desligo”.

 Esta foi a mensagem que enviamos na torre de rádio da cidade. Deixaremos isso em looping até que alguém apareça ou que tudo seja destruído e nós mortos. Sou Brisa do Deserto, não sou uma líder, não sou nada, apenas mais uma tentando sobreviver a todo esse caos instaurado na cidade e aparentemente no mundo. Quando digo que sou nada é verdade, pois não tenho a mínima idéia de quem eu seja. Toda a minha vida foi apagada da minha mente. Tudo o que sei foi depois de acordar numa mesa fria de metal em algum tipo de laboratório. Foi lá também que conheci meu parceiro nessa luta e ganhei este apelido. Contarei minha história até agora, caso isso seja achado por civilizações posteriores a nossa e a raça humana seja extinta. Para haver pelo menos um relato do que acabou conosco.  

 

O INÍCIO

Como em um sonho patético de terror, acordei em um surto de pânico sem poder enxergar muitas coisas, apenas vultos embaçados e com a horrível sensação de frio que estava em todo o meu corpo. Depois de algumas piscadas percebi que estava nua e que não era a única pessoa naquela sala. Havia um homem, também nu, numa mesa ao lado.

Minha primeira reação foi pensar Mas que porra? Depois tentei inutilmente me cobrir, pois aquele estranho homem ficava olhando para mim. Parecia tão confuso quanto eu, mas estava se divertindo com o fato de ter uma mulher pelada no mesmo quarto que ele.

Levantei à procura de algo para vestir, depois pensaria no que faria em relação ao brutamontes. Olhei em volta e só conseguia me apavorar mais. Era uma sala dessas de experimentos que geralmente se vê sem filmes trash onde tem mesas de metal com os espécimes, no caso eu e o brutamontes, e várias ferramentas das quais eu não tenho a mínima idéia da utilidade. Tinha um vidro gigantesco bem em frente que não dava para ver nada além da sala, era um espelho gigante. A esperança em encontrar qualquer coisa vinha de um pequeno gavetário que havia no canto da sala. Por sorte achei dois jalecos de mesmo tamanho. Um deles ficou enorme em mim e o outro arremessei para o cara.

            – Hey, Grandão! Veste isso. Não tô a fim de ficar olhando suas coisas por muito tempo.

Ele vestiu e ficou ridiculamente pequeno em todos aqueles músculos que o cara cultivava.

            – Garota, quem é você?

Tava ai uma boa pergunta. Não tinha a mínima idéia de quem eu era e o que estava fazendo ali.

            – Vamos começar com você dizendo quem é. – tentei virar o jogo para não parecer a anta que não sabe de nada.

            – Não sei. Com você me respondendo talvez eu lembre de algo.

Ótimo, dois desmemoriados nus num centro de pesquisas. Lindo, bom começo! Assim vamos longe!

            – Vou te chamar de Brisa do Deserto, considerando suas condições. – disse me indicando minhas partes íntimas com a cabeça.

            – Ah, mas que descaramento da sua parte! Se você não fosse o único que pode me ajudar a entender o que tá acontecendo, eu arrancaria um de seus olhos!

            – E ia fazer isso como, magrela?

            – Dava meu jeito. Se meche e tenta achar um jeito da gente sair daqui.

Olhei em volta e eu parecia um ratinho encurralado. Apavorada, sem ter para onde ir.

            – Tem uma porta aqui – disse o gigante – vou abrir, esteja preparada para qualquer coisa.

Vou estar preparada como? Só se for pra ter fôlego suficiente para gritar até estourar minhas cordas vocais e morrer.

Ele abriu a porta e a única coisa que podíamos ver era um corredor comprido e com uma luz piscando ao longe.

            – Vai na frente! Você é maior! – falei morrendo de medo do barulho ensurdecedor do silêncio.

            – Que medrosa! – falou ele arrancando um cano da parede quebrada.

Andamos até a luz que piscava e o que vimos não era nada bonito. Havia um corpo no chão com a cabeça estourada. O corpo usava uma farda, aos farrapos, que estava cheia de sangue coagulado e uma substância estranha meio viscosa avermelhada. A única coisa aproveitável ali eram as meias. Peguei. Sei lá no que estávamos pisando.

 

Mais portas. Eu não tinha forças para abrir nenhuma, pois todas eram de metal maciço. O Grandão ia abrindo como se fossem nada. Passamos em diversas salas como a nossa, todas tinham corpos nas mesas e com suas respectivas cabeças estouradas também. Achamos uma pequena arma para mim, um bisturi. Era aquilo ou nada.

Andando infinitamente naquela escuridão medonha encontramos um banheiro que estava anormalmente limpo e perfeitamente estruturado. Tinha somente um corpo que parecia ter se arrastado até ali, denunciado pela trilha de sangue no chão, e morrido por condições diferentes dos outros corpos. Esse cara tinha uma arma com ele. Ficou comigo, afinal o Grandão já tinha um cano que na mão dele faria grandes estragos.

O corredor era amedrontador, escuro, frio e silencioso. Luzes estavam quebradas apenas zumbido o som da eletricidade, algumas estouravam de vez em quando e toda vez que isso acontecia eu pulava assustada.

            – Você quer parar com isso? Tá me irritando já! – falou o grandão.

            – Acha que eu to curtindo ter minis paradas cardiacas toda vez que essas luzes explodem e piscam?

            De repente, um barulho além do habitual. Calei imediatamente, levantei minha arma trêmula e apontei para o lugar do onde tinha vindo o barulho.

Caminhamos lentamente para o local, parecia com uma cantina de escola, onde a porta é dupla e abre empurrando para baixo uma alavanca.

O salão aparentemente estava vazio, me adiantei e fui em direção ao balcão em busca de alguma coisa que pudessemos comer. Mal cheguei no meio do salão e uma bala foi atirada na minha direção, por sorte o atirador errou. Virei instantameamente para a direção de origem da bala.

O atirador era um cara magrelo, encolhido num canto, sujo e parecia que estava chorando.

            – Me deixem em paz, seus monstros!

            – Que monstros? Você é maluco? Atirou em mim por nada, seu puto!

            – Todos vamos morrer! Todos seremos monstros!

            – Quê que esse idiota tá falando? – gritou o grandão da porta.

Num susto, o cara magrelo virou pro Grandão e insandecido começou a fazer sinais para que ficassemos quietos.

            – Vamos Brisa, esse cara aí tá doidão…

            – Fiquem quietos, seus imbecis! – gritou o magrelo – Ele vai nos achar! – voltou a falar baixo.

            – Ele quem? – fiquei curiosa. Esse cara sabia mais que a gente sobre o que quer que fosse.

            – Venham… Vou mostrar como sair daqui.

            – Se você sabe sair daqui, por que já não saiu? – o Grandão tinha um ponto.

Sem ouvir o magrelo saiu em disparada pela porta da cantina, esbarrando no braço do Grandão. Corri atras do cara e parei ao lado do meu parceiro.

            – E ai, o que você acha?

            – Não temos nada a perder mesmo.

            – Concordo.

 

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