Macaco Azul

20 fev

A cidade brilhava cinza lá fora, era essa a cor do novo mundo, a cor do progresso.  Como todos os amanheceres ela estava sozinha em sua cama. Mais um androide havia a abandonado pela madrugada depois de uma noite de sexo sem graça entre humano e máquina. Ela havia acordado mais tarde que de costume, pois não havia o habitual clarão que imita o antigo sol permeando o vão entre as pás das cortinas e atingindo seus olhos cansados da mesmice de sempre.

O sexo havia sido insosso, apesar do pseudo-homem ser exatamente como ela havia ordenado: cabelos pretos, olhos azuis e boca vermelha, características que não se vêem mais nos humanos de hoje em dia, pois todos são pálidos e com uma tendência crescente de albinismo.

Ele chegou e já estava tirando a sua jaqueta. Esses novos androides eram projetados com a maior fidedignidade aos humanos antes do colapso mundial. A pele imitava bem a textura humana, mas nas regiões onde era importante ter uma pele fiel a real, era uma espécie de borracha, e a desculpa atual era de que essa textura imitava o órgão masculino já envolto em preservativos. Uma ova! – ela pensava. – Eu experimentei o real e não tem nada a ver com isso. Mas, fazer o que? Na falta de um, vai com o outro mesmo.

Andrew, nome de prostituto e nome de batismo era 94325575.04. Ele foi projetado para executar apenas essa função: dar prazer a humanas solitárias. Ele chegava nas moças e começava com uns movimentos muito manjados que ninguém mais fazia. Ele vinha de mansinho e cheirava o cangote, depois de comentar como o cheiro da mulher era bom. Detalhe: eles não sentem cheiros, ele enfiava o rosto entre os seios da mulher e tirava aos poucos as roupas dela. Brincava um pouco aqui e ali, fazia um sexo oral nelas, depois de bem lubrificadas ele as penetrava. Por fim, eles eram programados para perguntar o que a mulher queria. Fazia e depois deitava com ela para dormir. Assim que elas adormeciam, eles saiam e iam para outra cliente. E assim havia sido a noite de Jody. Sem graça desse jeito.

 

* * *

 

Não aguento mais essa vida de sexo com máquinas. Preciso encontrar alguém que seja um humano, sem próteses, sem nada, 100% old school.

Jody vasculhou todas suas agendas de números telefônicos, mas aquilo só a estava deprimindo, todos os nomes de caras e mulheres que ela havia ficado só traziam lembranças ruins. Ou um ménage que não deu certo ou próteses mecânicas que eram bizarras. Ou apenas mortos por conta das condições ambientais atuais, sendo este motivo o mais comum.

– Dane-se, sairei hoje e eu hei de encontrar algum humano para me relacionar.

Dizendo isso, Jody pegou seus equipamentos de segurança, separou em um canto, escolheu uma roupa atraente, um conjunto de calcinha e sutiã rendado e foi tomar um banho para se aprontar.

Um dos lugares que era mais fácil de encontrar humanos era o antigo bairro boêmio que ficava no centro da cidade, lá se encontrava de tudo, portanto ela deveria encontrar alguém interessante por lá.

Preferiu entrar em algum desses bares que servem drinks borbulhantes com as mais diversas cores e tentar flertar com alguém por lá mesmo. Por sorte encontrou um rapaz alto, aparentava ter uns 20 e poucos anos, de cabelos ondulados e castanhos que parecia estar de olho nela.

Ela retribuiu os olhares e então ele se aproximou:

– Olá, eu sou Marcus, e você quem é?

– Jody. – fez aquele sorriso amarelo de quem está sem graça só para fazer charme.

– Você não tem cara de quem vem nesse tipo de ambiente com freqüência, ou estou errado?

– Não, quase não costumo sair. – pausa simbólica. – Posso fazer uma pergunta? Promete não ficar chateado com a minha direta?

– Pode, sou um livro aberto, não tenho problemas em responder nada.

– Você é 100% humano?

– Acho melhor te responder com um estimulo visual. Vamos, venha comigo.

Os dois saíram às ruas, Jody sem saber para onde ia até ver uma antiga esquina famosa que há muito tempo não era mais freqüentada. Não depois da dominação androideana.

– Lembra desta esquina? Apenas humanos conhecem seus segredos e seus bares. Vamos, no mais áureo que está esquina possuía.

Claro que ela lembrava, não fazia tanto tempo assim que ela ainda freqüentava esse lugar. Só na aproximação, ela já se sentia eufórica. Entraram.

 

– Esse lugar costumava ser melhor, heim – dizia Jody com cara de nojo enquanto entrava no cybercafé – Agora isso aqui ta muito mal freqüentado, com todos esses ratos pseudo-intelectuais com cara de museu.

O casal entrava em um barzinho onde a realidade parecia fugir do que as ruas enfumaçadas exibiam com seus corpos ensangüentados, pintando de vermelho seco pequenas regiões do concreto frio em cada esquina que seus olhos pudessem alcançar.

– É baby, lembra da época quando todos esses queijos eram preenchidos por androides que dançavam incansavelmente a noite inteira? – o homem apontava com ar cansado para as estruturas metálicas que há muito não reluziam mais nas cores vibrantes dos jogos de luz que eram projetados ali antigamente. – E aquele palco, todas as noites, apresentava algum novo expoente na música de cabaret ou do jazz e blues… Todo esse glamour underground agora está desperdiçado com o rebuliço eletrônico no mundo lá fora.

Eles sentaram em bancos estragados que há não muito tempo atrás eram ótimas imitações de couro vermelho e agora não passavam de espuma embolorada.

– As pessoas, com o advento de toda essa tecnologia, esqueceram o que é o convívio social. Ficam tão imersas nesse mundinho virtual que nunca nem treparam na vida.

O ar era denso. As poucas pessoas que estavam ali apresentavam o mesmo ar de tristeza e indignação por essa nova realidade imposta aos antiquados de plantão. Porém, ao pequeno indício de alguma conversa relacionada a sexo todos os ouvidos se atentavam à vida dos outros e se esqueciam, pelo menos por um minuto, de suas miseráveis vidas.

– Você ainda tem esse tipo de convívio social? – Marcus perguntou interessado.

– Não tanto quanto tinha antigamente. O contato com humanos está cada vez mais raro, esbarrar com alguém na rua está praticamente impossível. Todos agora mandam esses novos andróides-empregados para fazer todo o serviço que se tem para fazer, ao invés deles mesmos mexerem aquelas bundas gordas. Mas por que desse interesse súbito?

– Não me venha com esse papo torto de que não entendeu que estou jogando verde pro seu lado. Assim como você, todo o meu contato com humanos está restrito a poucas vezes por mês, quando posso enfim sair daquele laboratório que expurga tecnologia avançada.

– Seja direto então! Estou cansada desses humanoides, quero algo orgânico, quero um sexo que seja das antigas, nada dessa modernidade e estranheza atual.

– Pois então que seja, vou te levar a um lugar que alguns amigos pervertidos e exóticos meus me falaram. Lá não é o lugar final, mas sim o ponto de partida para uma loucura que você provavelmente nunca experimentou antes.

– E onde seria esse lugar?

– Não muito longe daqui, é apenas outro bar, pior freqüentado que esse, com todo o tipo de drogados, putas e criminosos, ou seja, muito mais badalado, porém isso tudo só é fachada para o clubinho especial que ocorre lá dentro. Eles são conhecidos como os Red Velvet.

* * *

 

Jody e Marcus colocaram suas máscaras de gás e saíram em busca de um transporte que pudesse levá-los ao bairro barra-pesada onde o bar se encontrava. Era difícil conseguir alguma coisa nos tempos de hoje. Todos nas ruas andavam preocupados se ficariam tempo demais expostos à atmosfera radioativa. Crianças tinham medo de sair às ruas, pois as histórias de terror que eram contadas falavam sobre criançinhas que haviam saído de casa sem autorização e tiveram braços ou pernas ou qualquer parte do corpo putrefeita pelos gases venenosos que teimavam em entrar pulmões adentro mesmo com toda a parafernalha disponível para proteção.

Conseguiram depois de muito barganhar com um andróide livre que foi re-programado para ser uma espécie de taxista malandro que tentava de todas as maneiras extorquir mais dinheiro de seus clientes. O bar pelo lado de fora não apresentava nenhuma das coisas que foram prometidas, apenas portas engorduradas com o óleo das mãos dos sebentos que entravam e saiam adoidados de lá de dentro.

O interior do bar era algo frenético, luzes piscantes coloridas em velocidades que deixavam qualquer novato tonto, gritarias sobre assuntos diferentes, na maior parte das vozes se escutava palavras que estavam no assunto sexo e outras no assunto morte. Havia um pianista com um pequeno chapéu coco no meio do salão, quase não se ouvia as notas tímidas que tocava algo como cabaret ou alguma coisa estranha que só ele escutava.

O bar estava em completo rebuliço, o que era para ser um bar mais clandestino estava se tornando cada vez mais pop por conta das notícias que aconteciam ao entorno. Assim todas as pequenas mentes perturbadas dos jovens que ainda assistiam TV sentiam uma atração incontrolável em ir até lá e se meter em alguma confusão. Consequência disso era a superlotação do pequeno pardieiro.

Marcus indicou o fundo do recinto, mas Jody parecia encantada com um grupo de jovens e outros nem tão jovens assim que gritavam coisas como estupro, necrofilia e canibalismo aos 4 ventos sem medo, como se aquele sofrimento que causavam fosse algum tipo de troféu macabro. Pegou um drink qualquer desses que estavam abandonados no balcão e tomou, esperava compreender melhor as palavras daquele homem que estava discursando sobre seus pecados.

– Venha, não perde seu tempo com esses perdedores, temos coisas mais importantes para resolver. Depois você vem aqui e se diverte com essas histórias desviadas, mas por hora vamos. – dizia Marcus levemente alterado por toda aquela gente inesperada.

– OK, não seja um mala! Viemos aqui pela diversão, ou não?

Ele ignorou o comentário dela e a puxou pelo pulso para uma sala mais escura e menos barulhenta. Toda a sala era coberta de veludo vermelho, o que justificava o nome do grupo. Mas o que isso teria a ver com as práticas deles? – se perguntou Jody.

Ao fundo do cubículo vermelho havia uma porta preta com um grande segurança com cara de poucos amigos na frente.

– Vocês tem senha?

– Senha? Como assim tem que ter senha pra entrar nisso? – Indignou-se Jody.

– Macaco azul.

– Me desculpem, o senhor e a madame devem ser convidados especiais. O Sr. T está em sua sala privada, ao fundo.

Assim a muralha de carne abriu caminho para o casal passar. O ambiente lá dentro era completamente diferente do que o bar era.

– Que merda foi essa? E que lugar bizarro é esse aqui?

Marcus parou e se virou com um olhar sério para Jody.

– Aquela porta é na verdade um portal entre duas dimensões. Nessa dimensão daqui o mundo ainda não está completamente decaído, parece que aqui é uma versão anterior do nosso mundo. – fez uma pequena pausa para que a mulher pudesse absorver a informação que foi cuspida. – Alguns já me disseram que fizeram sexo com suas cópias e que foi uma experiência bem alucinante. Não sei se esse é o tipo de coisa que você procura.

Jody olhou perplexa para o seu entorno, não podia acreditar que uma coisa dessas esteve desconhecida por ela por tanto tempo. Ela poderia ficar por ali a vida dela inteira e não sentiria nem um pingo de falta daquele mundo podre que estava atrás daquela porta.

Esse novo bar, se assim pode-se dizer daquele lugar, era como se fosse uma réplica do bar frenético de lá de fora, mas aqui parecia mais um pequeno clube metidinho a besta que em alguma hora do dia funcionava como um inferninho. Tinham alguns escritórios ao fundo e no alto. A sala do Sr. T era a que tinha a porta azul.

– Venha, vou te mostrar o lugar antes de te levar ao Sr.T, quero que você veja todas as coisas que esse clube te oferece. Obviamente você precisa ser iniciada primeiro, então tenha certeza na sua escolha. Uma vez aqui, para sempre Red Velvet.

Marcus levou Jody para um corredor que parecia não ter fim, era todo decorado com motivos dourados e um carpete vermelho aveludado decorava o chão. Ao fim do corredor havia uma pesada porta de madeira, a qual era guardada por um homem que vestia uma capa com capuz.

– Ela é nova.

Apenas com essas três palavras o segurança abriu caminho para os dois passarem. Em seguida havia uma pequena ante-sala onde qualquer conteúdo eletrônico tinha que ser deixado para trás e eram oferecidas túnicas brancas para que os visitantes trocassem de roupa. Toda a situação deixava Jody desconfortável, mas a curiosidade era maior que qualquer desconforto que ela poderia sentir. Ela precisava ver o que tinha de tão misterioso por trás disso tudo. Isso, esse era o verbo: precisava.

Depois de roupas trocadas, eles puderam avançar para a grande sala que vinha em seguida. O que Jody viu, nunca em seus sonhos mais eróticos ela poderia ter pensado. A sala era deslumbrante, o seu teto era alto e formava uma abóbada, toda a parede era aveludada formando pequenas dobraduras plisadas, tinham vigas que lembravam a Grécia antiga, mas isso não era o importante da sala, e sim todas as pessoas que estavam ali. Algumas pessoas permaneciam com suas túnicas, porém outras estavam nuas. O que trazia homogeneidade era que todos estavam envolvidos em uma orgia gigante, seja olhando apenas ou participando ativamente. Podiam-se notar pequenos grupos onde uma prática era preferencial, mas todos os subgrupos estavam interligados por pelo menos um dos integrantes.

– Esta é a ala principal do clube. Aqui estão os integrantes que são mais generalistas, e infelizmente é até onde você pode ir sem ser uma voluntária ou uma Red Velvet. Observe bem todos eles. É esse o tipo de prática que você sente falta? – Marcus sussurrou sensualmente e arrastado no ouvido de Jody e depois se afastou, deixando-a sozinha.

Ela ficou observando o que Marcus faria e sentiu-se excitada ao ver ele se aproximando de um dos pequenos grupos. Este era um grupo de apenas homens que pareciam muito envolvidos entre eles. Marcus se aproximou de um rapaz parecido com ele próprio, tinha cabelos lisos e castanhos, intensos olhos verde esmeralda e o corpo parecia ter sido esculpido por algum artista renascentista. O rapaz parecia conhecê-lo e logo de cara deu-lhe um beijo na boca. Marcus não só retribuiu como também começou a apalpar o outro cara. Os outros rapazes do grupo pareceram ter sentido inveja e juntaram-se aos dois. Um dos homens foi para trás do homem-Davi e os outros dois ficaram em volta de Marcus. Um deles ficou entre Marcus e o homem-Davi e começou a fazer-lhe um sexo oral e o outro ficou agachado de joelhos apenas alisando a bunda dele, lambendo e mordiscando. Aquela pequena orgia excitava Jody de uma forma que ela sentia que não poderia ficar muito tempo em pé. Olhou em volta e encontrou um banco. Foi até ele e sentou-se.

Sentiu-se deslocada naquele lugar. Não durou muito tempo sua solidão, pois logo ela viu se aproximar uma mulher incrivelmente atraente, com corpo esguio, cabelos castanhos ondulados caindo por sobre os seios e tendo fim apenas na altura da cintura. Ela estava sem a túnica, e a impressão que ela causava era de tirar o fôlego.

Ela aproximou-se de Jody e sem permissão sentou-se no colo dela. Começou a beijar-lhe a orelha e apalpar os seios de Jody. Esta por sua vez estava sem reação, completamente entregue a toda a imponência dessa mulher estonteante que a abordou. Quando se deu conta, a mulher já havia tirado o pequeno broche que prendia a parte de cima da túnica, deixando os seios de Jody a mostra, ela beijava sua boca, na verdade sugava toda as forças que Jody tinha. Quando a mulher então decidiu ir com a boca para os seios de Jody, esta conseguiu balbuciar alguma coisa como “pare”, mas os dedos longos da mulher a calaram, e ela desistiu de tentar resistir aquela mulher de pele bronzeada. Jody encontrou forças para movimentar as mãos e elas foram direto para o órgão genital de sua parceira. Com uma leve passada de dedos, percebeu que escorria líquido dali e que ela estava muito excitada, assim ela enfiou primeiro um dos dedos na mulher, ela soltou um pequeno gemido, enfiou outro. A mulher sugou com mais força o seio que estava em sua boca. Jody interpretou isso como sendo um sinal de que ela estava gostando, então a masturbou intensamente. A mulher curvou para trás e levou a cabeça de Jody para seus seios e enfim disse alguma coisa entrecortada com uma voz incrivelmente sexy que tinha um leve sotaque italiano: “Me morda, eu gosto mais assim.” E foi exatamente o que ela fez. Depois de algum tempo as duas nessa mesma posição, Jody sentiu que o volume do líquido que escorria da mulher havia aumentado em sincronia com um gemido tão sonoro que fazia com que qualquer pessoa sentisse o prazer que ela sentira. A mulher satisfeita olhou para Jody e saiu de seu colo, ajoelhou aos seus pés e levantou sua túnica. Ela faria o melhor sexo oral que Jody já experimentara na vida.

A mulher bronzeada afastou-se quando enfim Jody gozou, esta meio tonta percebeu que havia um pequeno grupo de pessoas que estavam ao redor observando toda a cena. Uma dessas pessoas era Marcus. Ela levantou-se, fechou sua túnica e foi em direção ao homem que a trouxera para ali.

– Foi uma bela apresentação para uma novata. Muito excitante. – disse Marcus sem nenhum deboche na sua voz. – Agora acho que está pronta para ele. Vamos.

Fizeram todo o caminho de volta, trocaram as roupas, recobraram os seus pertences eletrônicos e se dirigiram para o escritório da porta azul.

* * *

Mal chegaram à porta e ouviram uma voz um pouco rouca e com um sotaque que não era mais tão comum de ser ouvido na outra realidade vindo de lá de dentro:

– Entrem.

O homem ali dentro lembrava alguém que Jody conhecia, mas ela não conseguia lembrar quem. Era um homem refinado, com cabelos que iam até a altura do ombro, castanhos e escovados, os olhos eram estreitos e a olhavam de cima a baixo. Por um momento Jody sentiu vergonha de estar vestida da forma como estava. Uma blusa de cetim verde grama, com uma saia preta alta por cima. Seus sapatos eram pretos de um tecido sintético que imitava camurça.

– Então, o que vocês procuram por aqui no meu mundo? – disse o homem que vestia roupas pretas com risca de giz no tom de beterrabas frescas que eram bem alinhadas ao corpo.

– Ela estava entediada com a realidade do outro lado. Conte a ele baby.

– Sim, conte-me baby. – disse com ar debochado.

Como se fosse uma provocação o Sr. T levantou-se de sua poltrona e veio de encontro a Jody, olhou ela bem de perto, cheirou seus cabelos cacheados e avermelhados e depois sentou-se no tampo da mesa.

– Pode sair agora, Marcus. Eu fico com ela.

Jody estava enfeitiçada com aqueles olhos estreitos que ao fundo revelavam ser olhos de um azul tão claro que lembrava as águas dos antigos rios que só são vistos em documentários chatíssimos que passam na tv aberta.

Com o barulho da porta fechando ela pareceu ter levado um susto e acordou de seu transe. Onde estava Marcus?

– Vem, senta aqui no colo e me conta quais são seus problemas. – Sr.T deu pequenas palmadas na própria perna indicando onde ela deveria sentar.

– Que abuso é esse? Nem te conheço para que tenha essas intimidades comigo! E onde está Marcus? – Jody disse com uma falsa indignação.

– Ele foi embora. – fez uma pausa – A propósito, ele fez um ótimo trabalho em trazer uma tigreza como você para mim. – soltou um sorriso de canto de boca – Agora cale essa boca e senta este rabo aqui. – ordenou.

Aquelas palavras fizeram com que Jody amolecesse novamente e assim como o mestre pediu, ela o fez.

– Isso, agora, me diga, do que você sente falta? – disse ao pé do ouvido dela e colocando um dos dedos em sua boca e com a outra mão apalpando suas coxas e subindo um pouco mais para as regiões intimas.

– Sinto saudade – chupa um pouco o dedo de Sr. T – de um sexo orgânico. Todo o sexo que encontramos por lá é androideano. – chupou mais intensamente o dedo. – quando não, o sexo é só uma estimulação neuronal por aparelhos que simulam o sexo – arfa um pouco – esses humanos estão muito receosos de contrair doenças com um simples beijo. – começa a chupar dois dedos, o indicador e o maior de todos.

A mão do Sr.T entrou por baixo da saia e pode sentir a textura da calcinha de renda que Jody usava. O pequeno espaço de algodão que tinha ali começava a ficar úmido e toda a região ao entorno começava a esquentar.

Agora somente ao toque do homem, Jody arfava e já não queria mais aqueles dedos, queria algo mais. Ela então se virou para Sr.T, pôs as mãos em seu cinto e começou a desafivelar.

– Posso?

– Agora não. Deite-se no chão, tenho outros planos para você, baby.

Como se estivesse embriagada, ela executou seus comandos, deitou-se no chão apesar de querer saber o que a aguardava dentro das calças dele.

– Querida, tire essa sua blusa, sim? Deixe-me ver esses seus seios. – e assim ela o fez mostrando seu sutiã rendado azulado.- Isso, agora eu queria que você mesma tirasse a calcinha.

Todas as ordens eram acatadas pela mulher e mais e mais o seu desejo crescia. Sr.T enfim decidiu fazer algo com ela, deitou-se ao seu lado e com voracidade engolia um dos seios dela e com a mão livre ele brincava na genital dela. Ela por sua vez, sentia um calor crescente que vinha de sua região pélvica, fazia tempos que ela não se sentia nesse estado de êxtase com um homem orgânico. Tentava alcançar os genitais dele, mas todos os seus movimentos esmaeciam no meio por falta de forças, já que ela toda estava estalava de prazer.

Quando a mulher quase gozou ele parou. Ela olhou com ar pidão e ele disse:

– Agora você pode fazer o que queria, mas está proibida de gozar.

Jody levantou-se meio bamba do chão e abriu as calças do homem, ela podia sentir que ali dentro tinha um membro vigoroso que só estava esperando sua hora para agir. Fartando as mãos Jody começou a fazer movimentos de sobe e desce. Abaixou-se na direção do Sr.T, que permanecia deitado, ficou com a bunda virada para o alto e olhava com ar safado para o homem que a olhava em desafio.

Sr.T empurrou a cabeça de Jody para seu pênis e esse era um comando. Ela engoliu o que podia e fez movimentos circulares com a língua, não deixando de fazer os movimentos com a mão que ainda estava no órgão. Dava pequenos beijinhos na glande e passava a língua em seu entorno. Ela sabia que ali era a área de maior sensibilidade dos homens.

Enquanto Jody fazia um esplêndido sexo oral, Sr.T acariciava os seios dela e apertava seus biquinhos. Todas as vezes que ele apertava, ela arfava um pouquinho. Aos poucos ela sentia que iria gozar e olhava para aqueles olhos estreitos e eles diziam claramente que era melhor ela não o desafiar.

– Por favor, posso gozar?

– Eu já mandei? – ela fez sinal que não. – então, você já sabe a resposta.

Ele afastou a cabeça de Jody, levantou-se e sentou no tampo da mesa outra vez e fez sinal para que ela viesse e sentasse em cima dele. Para isso ela tirou a saia lápis que ainda estava vestindo, o que revelou que ela era completamente sem pelos. Ela empurrou o homem mais para trás na mesa e subiu no tampo, ficou de pé com suas partes intimas na altura da boca do homem, este se aproximou um pouco dela e ao fazer isso ela então abaixou-se lentamente. Ele havia gostado dessa ousadia dela e a olhou com cara de desejo.

Ela podia sentir cada centímetro entrando dentro dela e aquela sensação de pele com pele e uma camada de gozo entre era magnífica. O subir e descer no colo dele começou de leve e depois quando ela menos esperava sentia tapas nas suas nádegas. Tempos atrás aquilo a incomodaria, mas ali, com ele, aquilo só trazia mais satisfação, e o desejo de gozar era cada vez maior. Ela sentia que podia explodir a qualquer minuto e que se ele notasse que ela estava nesse estado ele não a deixaria gozar por nada no mundo, estendendo cada vez mais a tortura do desejo.

– Me pede da forma correta que então eu deixo você ser feliz.

– Por favor? – disse sentindo-se uma idiota. Sabia que não era aquilo, mas não conseguia pensar em nada, apenas nele.

E um forte tapa na nádega.

– Você sabe fazer melhor do que isso. Vamos, peça! – ordenou quase gritando.

– Por favor, me come de uma vez por todas e me faz nunca querer sair daqui desse cubículo. – ela se rendeu, quis parecer forte, mas ela parecia mais uma menina mimada.

O rosto do Sr.T se iluminou, ela fez direitinho. Então em um arroubo ele levantou, com ela ainda encaixada nele e virou no tampo da mesa, fazendo com que dessa vez ele ficasse por cima.

– Agora sim você pediu direito, eu permito que você goze.

Ele a puxou mais para a ponta da mesa, levantou uma das pernas dela, colocou em seu ombro e a outra ele deixou que ela se ajeitasse. Penetrou de uma vez só. Os movimentos violentos dele só fizeram com que ela demorasse mais ainda em seu orgasmo. A sensação era de completa felicidade e liberdade.  Os dois gozaram juntos e permaneceram ainda juntos por um tempo.

– Obrigada Sr.T por me fazer lembrar como é um sexo com um homem orgânico novamente.

– Está iniciada. Já sabe onde me encontrar e sabe também qual a senha. Traga para mim mais pessoas e venha mais vezes ao meu clube. Lembra da senha certo?

– Sim, lembro, o que não lembro é do seu nome.

– Mas eu não disse meu nome.

 

* * *

 

Jody meio bamba e um pouco dolorida como nunca havia ficado, foi andando em direção a porta preta e bateu. Lentamente ela foi aberta e ela escapou para o bar, saindo de todo aquele veludo vermelho, que agora ela entendia o porque do nome.

Será que aquele grupo ainda está contando aquelas histórias loucas? – pensou Jody revigorada. Gostaria de saber o final de pelo menos uma daquelas histórias absurdas.

Ao longe ela viu o homem que discursava antes, estranhamente seu corpo reagiu a ele. Ele era uma pessoa completamente largada, com roupas e cabelos sujos, com uma cara debochada, mas tinha algo de familiar.

Ela aproximou-se, ele mexeu com ela. Ela deu bola. Ele ofereceu um drink, o mesmo drink que ela havia tomado antes. E ele era azul.

– Qual o seu nome, gata?

– Jody e o seu?

– Ted.

E olhando bem de perto ela percebeu aqueles olhos estreitos de um azul mais claro que a água.

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